terça-feira, 12 de junho de 2018

RIGIDEZ NA REDUÇÃO DO PREÇO DO DIESEL SOB A LUZ DA TEORIA ECONÔMICA: uma pequena opinião



           Na faculdade de Economia se aprende que os preços são rígidos para baixo. A eficácia de uma política macroeconômica que enseja na redução pontual de preços de um determinado produto, serviço ou insumo dependerá das expectativas racionais dos agentes econômicos (Governos, empresas e famílias). Trata-se de uma hipótese onde as mudanças no comportamento dos agentes, baseiam-se numa percepção combinada das informações do presente com expectativas futuras do cenário econômico. 

        Destarte, a eficiência ou resultado de uma política/medida econômica do Governo para os demais agentes econômicos nem sempre são percebidos. Não é tão somente uma política de desoneração fiscal, por exemplo, com redução de imposto, que o preço em geral, de um determinado produto ou serviço irá refletir ao consumidor final. 

       Casos recentes como o fim da franquia das bagagens em 2017, onde se houve, inclusive, promessas de redução de passagens e, agora, ainda mais recente, a extinção de impostos federais sobre o Diesel corrobora e exemplifica muito bem essa teoria econômica.

         No caso em específico, a rigidez do preço do Diesel se dá pela percepção futura que o preço internacional e a desvalorização cambial persistirão a médio e longo prazos, e além da sinalização de não intervenção na política administrativa de Petrobrás. Então, até que não haja mudança mais relevante no cenário externo e interno, a tão sofrida batalha pela redução dos preços dos combustíveis vai se tornado em aumento de lucro para os empresários do setor.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Elevação da taxa de juros e seus efeitos colaterais


O Banco Central através do seu comitê de política monetária (COPOM) surpreendeu aos analistas de mercado com a decisão de elevar a taxa básica de juros em 0,25% , além de ter sido a primeira elevação desde o mês de abril desse ano, o acumulado de 11,25% já é a maior taxa de juros desde o fim de 2011.

Usado como o principal instrumento de politica monetária para diminuir o dinheiro em circulação e inibir a expansão do crédito, reduzindo a demanda via consumo, uma vez que boa parte do consumo nacional é realizada através de financiamentos, a elevação da taxa de juros provoca um encarecimento do crédito, desestimulando assim, o consumo por parte das pessoas.

No entanto, assim como um remédio que busca curar ou atenuar determina doença, a elevação da taxa de juros tem seus efeitos colaterais, que podem implicar em danos muito maiores à economia do que a inflação em si.

 Dentre os efeitos colaterais podemos listar:

1.      1.   Redução dos investimentos privados
2.      2.   Aumento da divida publica interna
3.      3. Especulação financeira internacional

1.   1.    A redução dos investimentos privados é de longe, o mais indesejável efeito colateral, dado ao cenário de recessão da economia brasileira. Juros altos comprometem a taxa de retorno de investimentos por parte dos empresários e consequentemente, provoca  o engavetamento de projetos de ampliação da capacidade produtiva, agravando ainda mais, o cenário recessivo atual da economia.

2.    2.   O Governo paga uma rentabilidade pelos títulos públicos que vende no mercado para se auto financiar, tendo como referencia a taxa básica SELIC, assim quando  a taxa sobe, o custo de rolagem da divida publica também sobe. Para se ter ideia, a divida atual gira em torno de R$ 2 trilhões, cada aumento de 1% da taxa básica de juros provoca um aumento espantoso de R$ 20 bilhões – sim isso que dizer que esse aumento de 0,25% implica num aumento de R$ 2,5 bilhões na dívida publica brasileira.Isso significa que nos fim das contas sobrará menos dinheiro para gastar em gastos sociais ou mesmo em investimentos, agravando ainda mais o cenário recessivo.

3.      3. Juros altos em relação às taxas de outros países estimulam a entrada de capital especulativo, que é aquele capital que procura obter vantagens em curto prazo e em determinadas situações, que no fim das contas não acrescenta em nada para o beneficio da economia.

Para além desses efeitos colaterais pesados, é preciso notar que a inflação atual brasileira ( 6,75% acumulada) é uma inflação resiliente, porque tem outras causas, tais como os gastos do governo e o cenário econômico adverso.


Destarte, o aumento da taxa de juros não pode simplesmente ser uma decisão automática em resposta as pressões inflacionárias  haja vista,  que os efeitos colaterais são bem mais onerosos a economia do que a certeza da controle da inflação via aumento da taxa de juros.


terça-feira, 2 de setembro de 2014

A relevância do PIB (Produto Interno Bruto) nos debates eleitorais









Talvez você já tenha se perguntado por que os presidenciáveis nessas eleições (2014) estão concentrando a maior parte do tempo disponível nas questões de ordem econômica.

 Claro, certamente você já leu nos jornais ou viu na televisão que nossa economia passa por uma fase delicada com baixo crescimento econômico e inflação acima do ideal, por isso os candidatos que almejam substituir a atual presidente, dão preferência ao assunto.

 Mas de fato, quais os “maus lençóis” em que a atual presidente, Dilma Roussef, se encontra diante de um cenário de baixo crescimento do PIB ou PIBINHO, como fora recentemente apelidado pelos adversários políticos.

 Antes, é preciso entender que ao assumir seu cargo, o (a) Presidente, assim como em qualquer outro cargo, seja numa empresa ou mesmo no setor público, precisa atingir metas para atingir resultados desejáveis e assim fazer valer sua escolha.

 Dentre várias metas, uma delas é praticamente inerente ao cargo do presidente da república, trata-se das metas MACROECONÔMICAS que diz respeito ao cenário da macroeconomia.

De forma sucinta, podemos dizer que o termo Macroeconomia refere-se à parte da economia que trabalha com os agregados econômicos que abrange a economia como um todo. Assim, as decisões acerca, influenciam ou impactam diretamente na economia do País.

As principais metas são:


  •   Alto nível de empregos
  •   Estabilidade dos preço
  •   Distribuição socialmente justa da renda
  •   Crescimento econômico (PIB)


 Como observamos o crescimento econômico ou do PIB é uma dessas metas e vale ressaltar, que as mesmas têm o mesmo grau de importância e estão extremamente correlacionadas.

Sem querer adentrar nos conceitos e nas teorias econômicas para não torna o texto cansativo, eu posso dizer que para o Governo promover uma distribuição socialmente justa da renda através dos programas como a Bolsa Família, ele ele precisa gerar receitas que provém do recolhimento de impostos que, por sua vez,depende da produção de bens e serviços que são variáveis pertinentes ao PIB.

Além disso, e ainda mais relevante, é que historicamente os gastos dos Governos são crescentes e para estes serem cobertos ou compensados, a economia precisa está continuamente em ascendência, caso contrário ,poderá incorrer numa situação de déficit público, situação na qual o Governo têm suas despesas maiores que as receitas.

 Vale frisar, que numa situação deficitária, o Governo terá que cortar gastos e as demais metas ficarão ainda mais longe de serem alcançadas. Não esquecendo, ainda, que investimentos em áreas essenciais como na Educação, Saúde entre dentre outras, podem ter seus orçamentos reduzidos, comprometendo a qualidade de vida dos cidadãos que dependem dos serviços públicos.

Destarte, o PIB é comumente debatido entre os presidenciáveis, seja para criticar a atual presidente, ou mesmo como âncora, quando em situação de crescimento considerável é usada para reeleger presidentes, num exemplo da história recente, o ex-presidente LULA.

* PIB (Produto Interno Bruto) é a soma de todos os serviços e bens produzidos num período (mês, semestre, ano) numa determinada região (país, estado, cidade, continente). O PIB é expresso em valores monetários (no caso do brasil em Reais). Ele é um importante indicador da atividade econômica de uma região, representando o crescimento ecônomico. Vale dizer que no cálculo do PIB não são considerados os insumos de produção (matérias-primas, mão-de-obra, impostos e energia).